sábado, 27 de setembro de 2008

VícioS

Sangue que corre quente, queimando perto dos olhos, o sentido.

Suando frio. Fala baixa e com saliva explosiva que sai da boca.

Sai da nuca, o desejo de cálculo, minutos sem dor e prazer infinito.

Sempre atento, os olhos quase em chamas sobre a fala mansa.

Sangue quente. Fúria úmida de mãos geladas.

Sobe o cérebro, frases, frames, conta-gotas de pensamentos.

Simultâneo, som, sangue e saliva. Somos viciados nessa batida: pulsa-pulsa-pulsa, do nosso coração frágil, da nossa mente doentia, do nosso cachorro latindo sem parar na varanda, vamos voar esta noite?

Só nós...

Sangrando, estamos sangrando.

Era tarde


Ela sentou cansada ao meu lado e me olho com olhos fundos.

Eu sabia que ela me detestava, fazia pouco de mim e se orgulhava de me humilhar.. ela tentava

se esconder atras dos meus sonhos, fingindo que eram os dela.

Nós duas falávamos das mesmas pessoas

ríamos dos mesmos casos de comédia.

Foi divertido encontra-la naquela situação, frágil e sem falsas idolatrias..

poderia enfim mostrar a ela o quanto dói e o que passei durante

aqueles anos de tortura.

Ela exigia explicações contextuais, substâncias de minhas atitudes. Mas eu não fiz nada.

Eu não lhe devo nada. Sou ausênte neste caso, para você..

E neste caso, era tarde demais para desfazer suas tensões, seus nós e suas dores cicatrizadas

por cremes caros, que tanto esbanjava poder comprar e eu não.

Eu lamento muito, eu desisti de você muito cedo, eu sei..

Detesto a mim mesma por tantas noites perdidas, e você lá, me humilhando.

Coitada, você agora faz pouco de si mesma,

pois a mim só resta a vida inteira, para ser vivida com intensidades e paixões..

E a você, minha querida, amargando nessa infelicidade me pede a mão.

Que agradeço, com um cordial: obrigado, não.. e sigo, meu caminho que tanto você praguejou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Uma manhã no Centro

Vídeo com fotos de um certo passeio a dois, que aconteceu no dia 08 de setembro de 2008.

* Música: Oscillate Wildly - The Smiths.

Por Elise



A existência por si só já é bastante complicada.
Nós seres humanos, com tom irônico pois seres menos ainda humanos somos nós.
Talvez seres, apenas. E é isso.
Nem tão pouco humanizados, em nossas casas seguras e frias.
Ou ainda humanistas, em nossos direitos e deveres fajutos.
Somos coisas, e coisificamos tudo. Essa é a minha percepção do mundo.
Olhamos ao redor, como se todos fossem todo mundo.
Intimidados pelo desejo, calados pela distância, petrificados pela timidez.
Ressaltamos qualidades em nós mesmos, e isso chama-se ser humano.
Por ela ou por você, faça alguma coisa. Sentimentalize suas ações.
Ninguém é uma ilha, diz a psicanalista em seu escritório no 15º andar. Mas
por que ela não vai atender os pacientes lá na praça?


É sozinho que se acaba em tudo. O tal ser, o tal humano.
Cachorros são melhores que pessoas, diz meu vizinho.
Anti-social.. apesar das festinhas triviais que ele dá na casa dele.
Mas é o que somos. Só damos bom dia a quem achamos que devemos.
Somos "sociáveis" com quem achamos que devemos.
Onde foi parar o respeito?
Será que isso sim, e eu chamo de EDUCAÇÃO (!), não seria verdadeiramente direitos humanos?
O direito e o dever de respeitar sem distinção a qualquer um?
E até nós mesmos como individual ação respeitosa.
Sei lá. Perco a meada quando falo de nós.
Coisificados e perfeitos em eterna contradição.
Mas faço isso por mim também, essa coisa toda de justificar ser humano, ou "ser" ser humano.
Complicado.
Faço isso por ela também, que só precisa viver tudo todos os dias e de novo.
Como um ciclo.
Pois afnal o ser humano é assim. Ele vive e revive tudo, na coisificação das coisas,
na verdade ilimitada das histórias sobre o que ele mesmo inventa.
* Fotos do espetáculo teatral Por Elise - Teatro Espanca (MG).

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Santos


São de barro, de fonte segura.

São de porcelana, frágeis e detalhados.

Entram em nossas casas e abençoam. Colocam as mãos juntinhas e a fé se espalha.

Devoção.

Meio a meio com a prece, dividem o espaço na prateleira entre si, homens e mulheres, meninos e ovelhas.

Todos juntos numa só intenção.

Todos ali estáticos.

Santos, Deuses, Rainhas do céu.

São muitos pedidos e muitas graças, eles se unem e a novena começa.

Reza perdido na sombra da vida que coloca à prova o ser incrédulo.

Soam sinos, ajoelha e pede o perdão com lágrimas.

Uma fervorosa explosão de mitos, ritos, hinos... Combina entre si a penitência e pronto.

Amém.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Diário na mídia!


Parabéns&Parabéns

Cansei


Sei lá, talvez pelo cansado meio de vida que tenho,
ou pela falta de posicionament estético desse lugar.. todo barulho feio..
toda pessoa é falsa, todo o contexto é torto..
mudanças feias e nada de novo.
Todo dia uma coisa away, assim sei lá.. pra que tanta coisa ruím junta?
Meio inexplicável, bonito de ver em foto, legal de pensar por um tempo
que esse lugar é meu.
Mas não é.
Tô mesmo cansada de correr pela busca. Nada muda.
Nada move tão rápido quanto a vontade (também inexplicável) em sair daqui.
Nada, a menos que tudo mude de verdade.
Ou que tudo fique assim como nas fotos, estático, pra dar gosto só de olhar..
Sei lá, talvez eu esteja só cansada e querendo que tudo mude.
Ou quem sabe, pois eu não, o que pode mudar seja somente eu.
E digo mudar mesmo, em todos os ângulos da coisa. Mudar de cidade, por exemplo.
Mas que seja.. eu não sei..
sei que prefiro assim: só olhar, é a cidade parada, imutável, que me contenta
ao menos pra olhar as vezes e acalmar pois tudo passa, até cansaço.

domingo, 14 de setembro de 2008

Camilla


De todos os nomes que a boca batiza

que o sonho relembra e a boca beija, o nome

mais dito.

De tantas letras e tipografias, contextos

sólidos ou perdidos, dedilhei as letras de Camilla

incontáveis vezes. Caracteres de Camilla.

Um compasso na sonoridade, palavra cantada.

São ruídos de guitarras e paralelepípedos.

São momentos de música urbana.

A Camilla do som das ruas. Da capital à Catedral. Camillade muros baixos,

janelas em enquadrameto total. Camilla de vermelho e

preto, do som do Rock mais alto.

Camilla de palavra doce, camomila

que acalma a alma. Camilla que é de

nome e de música. É de açúcar e letra.

Camilla pode ser de tudo.

Camilla sempre vai ser tudo, Camilla

sabe o que quer.

Camilla merece o céu.

Cuida do teu chão


Vale perguntar um a um o que espera tocar com os pés?
Onde pisamos é geralmente feito de poeira e restos.
Não ligamos pro que fica pra tras. É sempre coberto de piso e pegadas.
São portas batendo sobre tacos. Sandálias caminhando sobre farpas.
Cuidado ao colocar no chão o copo de vidro, o rabo do cachorro passa e bate, derruba e quebra. O chão é duro.
Dureza encontra retidão. Reto. O chão.
Passo após passo, andando caminha o pé ante-pé.
Cuidado com passos largos, com descompasso.
Parar também não pode, continuar sempre no ritimo. Caminhada lenta não: caminhada.
Somos andarilhos em cima do desconhecido.
Correr não pode com cera, derrete e escorrega, faz cair que é uma beleza.
Cair machuca pois o chão não perdoa, sua verdade é dura.
Dureza mesmo é queda de cabelo em chão branco, aparece. Fica feio.
É duro ter que limpar o chão. Muitas vezes ajoelhados rezamos por vida melhor e só o que nos resta é continuar ali.. esfregando..
Mas cuidado com o que fica sobre ele.. deitam-se verdades? Cobre com carpete as mentiras?
Fica sobre aquele piso uma tábua de resolução, pra ficar mais alto, pra subir, pra facilitar a entradas de rodas? Fica o chão encarregado de cooperar com a faxina. O chão onde pisa toda aquela gente que entra e que sai. Chão de nós todos.

sábado, 13 de setembro de 2008

Fotomovimento





O ato da dança. O para e não para de cada corpo é um movimento de sopro e suor. São luzes que se transpiram pro alto. O que parecem corpos de sangue e carne despejando água em corredeiras. Espalham pelo chão.

Movimentado de mundos, são cabeças para o lado. Embaralhadas são as fotos no album de antigamente, nada tão moderno assim.

É um velho dance music que toca pro radinho de canto no palco, faz bailar o tempo todo.

Deixa suar. Deixa tocar que vai lançar pro olho um toque e um sopro.

Da dança, do som.. deixa dançar.

O ator é colorido. São fotos em movimento, juntas num recorte.. das luzes.

Dança completo. Perto. Reto. Rima pro corpo é secreto de luzes e intensidades. Dança conforme a música.

Se movimenta.

Coração Nacional


Não é preciso ser sete de setembro.
As cores estão ali, seja dia ou noite em tons desbotados somos mais de mil ambulantes. Ambulando pelos cantos do coração.
Ele bate mais de cem pratos na mesa por metro quadrado. São muitos metros de fome e beleza mesclada.

O coração verde e amarelo. Pintura de criança. Felicidade de copa do mundo.
Habitantes e torcedores, todos levados na fé de suportar rojões de explosão momentânea. Aquece o coração mas apodrece os ouvidos, naquelas musiquinhas enfadonhas de eleição.. prefiro o hino, durante os jogos.

Um investimento em bandeirinhas, daquelas do colégio de muro pintado com animais em camisetas da seleção.

Futebol, palavra americana em conciência nacional. Fulgaz devaneios nacionalistas.

Somos pátria mãe, gentil somente em casos de ceder o lugar

aos mais velhos ou grávidas.

Brasileiros, somos todos iguais, mesma situação maquiada pelas cores: verde e amarelo.
Mas não pintem nossos rostos. Pintem nossos corações, de cidades sujas, abandonadas, esquecidas pelo desprezo. Nosso coração central, que não é alimentado mais de bola e gramado.

Você é verde. Eu sou amarelo. O céu todo que nos cobre é azul.

Somos irmãos e filhos de uma mesma mãe. Língua-mãe. Terra-mãe. Somos quem mesmo nos pariu.. somos dele.

Somos pátria.

Amada. Brasil

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Dama Lua.



Cor de papel em zelosa mão de Deus, que em tudo põe cor e deixa à sombra.
Com tanta nobreza a lua vem se apoderar dos sentidos das damas.
De noite a clareza de seus longos e perfurados lados insinuam os caminhos a serem seguidos. Jamais um homem que ousou pisa-la saberá decifrar seus enigmas mais instintivos. Só uma dama compreende a lua.
Feita por Deus em seu momento mais iluminado, tornando-a ainda mais interessante, como a mulher esconde-se em fases, para delícia da exploração.
Fases que alteram seus valores, mexem com as marés e deixam fauna e flora ao prazer de seus sabores.
Somente a lua pode acalentar uma dama, não importa a cor de sua alma.. sua sombra ou sua fase.
Uma lua para cada mulher e todas juntas num universo perfeito.

domingo, 7 de setembro de 2008

Open


no one, one.
don't go.
let me say what i think to say or not.
don't go.
let me stay.. or think.
thinking or go.. just open and listen.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Espetáculo.




Cruel.
Vermelho e preto em sombra, espelho e luz.
São cores de vibração em corpos e interpretações pessoais que se calam nos movimentos de precisão.
Luz. Vibra.
Contagem de passadas e segurança.
Foretaleza nos pés, ciência de sobe e desce. Contagem de minutos.
Música alta e perturbação, falha no olhar que atento corre junto ao palco.
Opaco. Luz forte sobre movimentação, correria e mesas de encaixe, são corpos de encaixe.
Cruel.
Atos.
Duplacidade. Forte.
Pensar leve, sobe leve pelo corpo um do outro e a diferenciação do gênero.
Homem Mulher.
Solo. Cruel.
Vermelho e preto, cortina de sangue e laços entre famílias.
Poesia entre pernas. Pele colada na pele.
Braços cruéis, beijos de crueldade e separação. Beleza.
União.
Cruel. Fase por fase, equilíbrio. Cruel.
Desejo. Som alto.
Sonoridade taquicardia. Ritimo.
Correndo Cruel.
Leveza. Pureza. Crueldade.
Contorna o braço e contorce a mão pelo pescoço úmido.
Conta os passos e sobe pelo vento. Dança pelo vento. Palco.
Cruel.

Tonalidade


Ao passar o homem leva a poeira consigo. Ele leva. Ele corre para o destino.
Ele sobe por onde uma hora ou outra descem os sentidos de sua mesma vida.
Sua vida hora por hora, na levada do tempo que muda ao entardecer.
Sobe pelo caminho que leva. Outra hora ele desce.
É o caminho que leva ao céu.
É um tom acima do azul anil, da bandeira e do passo. A cor da borracha da sandália mescla ao solado do pé. São cores de vários caminhos. Sobem ao passo homem, descem conforme a hora que passa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nós e os acontecimentos

Contador de minutos, param os olhos no instante mais sutil que se pode viver. Uma virada na lentidão.

Somos o direito e o esquerdo em multi espaço.

Um momento pra se ver o que se enxerga e assegurar que nada é tão formal quanto a forma que observa. A forma em um molde. Uma forma de modelar.

Somos o exemplo, a continuidade e a contagem de passos que damos dia após dia. Somos números.

Um olhar, um sorriso, somos o que podemos tocar. Em sentimentos.. somos todos sentidos.

Somos febre e calor intenso na mesma linha de visão. Somos passatempo.

Passam todos por eles mesmos, mas passamos nós, por quase tudo.

É tudo uma mutação..